Histórico

O Centro Ecológico Ipê é uma ONG que desde 1985, trabalha para viabilizar avanços sustentáveis na produção agrícola, mediante a adoção de tecnologias alternativas orientadas pela filosofia da preservação ambiental e da justiça social. Através de visitas, reuniões, cursos e oficinas de capacitação e planejamento, o Centro Ecológico Ipê assessora organizações de agricultores familiares na produção, processamento e comercialização de alimentos ecológicos. Uma decorrência natural deste trabalho é a busca do resgate e manejo da biodiversidade agrícola e alimentar, o estímulo à organização de produtores e consumidores, o desenvolvimento de mercados locais para produtos ecológicos e o estímulo a formulação de políticas públicas que incentivem uma agricultura sustentável.

Antecedentes Históricos

Os anos 80 foram de muita efervescência no meio rural no Brasil. Os impactos sócio-ambientais negativos da Revolução Verde, a distensão da ditadura militar e a retomada das lutas sociais no campo criam o cenário oportuno para o surgimento de organizações que buscavam uma nova forma de desenvolvimento no meio rural, baseado na Agricultura Ecológica e na Cooperação.
É neste contexto que, em janeiro de 1985, surge o Projeto Vacaria, em uma área situada no atual município de Ipê.

Nascido no seio do movimento ambientalista, o objetivo inicial do Projeto Vacaria foi demonstrar a viabilidade técnica e econômica da Agricultura Ecológica.
Após três anos de experimentação e prática, em uma propriedade rural de 70 hectares, então localizada no município de Vacaria, os técnicos então vinculados ao projeto buscam uma maior inserção na comunidade, visando a disseminação da proposta junto a agricultores familiares da região. As parcerias desde então estabelecidas frutificaram na forma de inúmeras Associações de Agricultores Ecologistas (AAEs), que se caracterizam pela prática da agricultura ecológica, por estarem organizados em pequenos grupos, pela industrialização artezanal de seus produtos e por buscarem canais alternativos para a comercialização de sua produção.

Em 1991, o projeto Vacaria passa a se denominar Centro de Agricultura Ecológica Ipê - CAE - Ipê, caracterizando uma nova fase do trabalho, onde o foco passa a ser menos a unidade produtiva da instituição e mais o acompanhamento às AAEs.
Em 1997, nova modificação. Neste momento, o trabalho se caracteriza por ir além da produção ecológica e se vincula a ecologização da propriedade como um todo, do indivíduo que nela trabalha e das relações sociais nas quais estamos inseridos. Assim o Centro de Agricultura Ecológica Ipê passa a se denominar simplesmente Centro Ecológico Ipê.
A partir de 1999 o Centro Ecológico se envolve também com o estímulo a formação de Cooperativas de Consumidores de Produtos Ecológicos, a partir da percepção que uma participação ativa dos consumidores é condição indispensável para o desenvolvimento do trabalho com Agricultura Ecológica.

Esta trajetória tem feito com que o Centro colabore, como interlocutor e referência de trabalho, no surgimento e qualificação de iniciativas em Agricultura Ecológica desenvolvidas no Brasil e em outros países, beneficiando-se, em muito, com esse permanente intercâmbio com outras experiências.

Princípios

A receptividade da proposta desenvolvida pelo Centro pode ser medida pela diversidade de instituições e públicos envolvidos nos cursos, palestras e assessorias dadas pelo Centro, em distintos locais do Rio Grande do Sul, do Brasil e do exterior.
Os resultados positivos alcançados encontram-se fundamentados nos seguintes princípios:

1) uma visão ecológica da agricultura e de sua interface com os ecossistemas naturais. Os sistemas de produção agrícola são interpretados e manejados como sistemas sócio-ecológicos, multideterminados, complexos e em permanente transformação, cuja reestruturação envolve diferentes níveis de intervenção;

2) a necessária combinação entre saber científico e saber popular, na construção de um conhecimento capaz de fundamentar um processo mais amplo de transformação social.

3) a busca da viabilização econômica e social da agricultura familiar. Os produtores não são considerados objeto de experimentação, mas sujeitos da construção de uma nova alternativa de desenvolvimento. Cria-se com isso uma complementariedade de tarefas e papéis entre o CE, as AAE's e demais instituições parceiras, na geração e disseminação de alternativas tecnológicas e de organização social;

4) a construção de novos princípios e práticas de integração entre (i) produtores e consumidores; (ii) a sociedade civil, o poder público e o mercado; (iii) o campo e a cidade.

Missão Institucional

Promover a prática de uma agricultura ecológica tendo como objetivos:

1) a preservação / reconstituição das bases ecológicas de sustentação dos agroecossistemas e dos ecossistemas naturais a eles vinculados;

2) a viabilização econômica e social da agricultura familiar;

3) a construção de relações solidárias, transparentes e justas entre os diferentes agentes envolvidos na produção de alimentos;

4) fortalecimento da autonomia e cidadania das populações rurais e urbanas na construção de uma economia ecológica, popular e solidária, e de um desenvolvimento social baseado na valorização do trabalho e no respeito à vida em suas diferentes manifestações.

Áreas de atuação

O Centro Ecológico concentra hoje sua atuação em duas regiões agroecológicas distintas do Estado do Rio Grande do Sul: a Serra e o Litoral Norte. Cada uma destas regiões possui características socioambientais diferenciadas, o que tem contribuído para alimentar um esforço permanente de reflexão sobre os princípios da agricultura ecológica e sua forma de operacionalização em contextos específicos.


 

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