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Ainda há quem acredite que para fazer agricultura é preciso eliminar mato e derrubar árvore.
Há também famílias agricultoras que querem independência em relação a insumos externos - como venenos, adubos e sementes-, querem saúde e cada vez mais, reconhecem a importância de proteger as fontes de água, a vegetação e os animais de suas propriedades.
É para elas que o Centro Ecológico periodicamente organiza cursos como o que aconteceu nos dias 9 e 10 de junho, no Centro de Formação Pastoral em Dom Pedro de Alcântara, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul. Jovens e adultos, ecologistas e novos ecologistas dos municípios gaúchos de Itati, Torres, Dom Pedro de Alcântara, Três Cachoeiras, Morrinhos do Sul e de Praia Grande, Santa Catarina, participaram da atividade que começou na manhã de terça-feira, com uma palestra de Laércio Meirelles intitulada A Agricultura Ecológica na Bacia do Mampituba.
Nesta apresentação, o agrônomo lembrou que em abril de 1991, na mesma sala em que estavam reunidos, o Centro Ecológico ministrou uma oficina para 60 participantes. A partir de então teve início a construção da Rede Solidária de Produção e Circulação de Produtos Ecológicos do Litoral Norte do RS e Sul de SC, que além da ONG de assessoria técnica, tem hoje cerca de quinze grupos e associações de agricultura ecológica, três cooperativas de consumidores, duas agroindústrias, uma cooperativa de produtores e uma feira ecológica.
Enumerando as razões para trabalhar com Agricultura Ecológica, Laércio destacou a crescente preocupação ambiental despertada pelas mudanças climáticas que já estamos vivenciando e que tendem a se agravar nos próximos anos: Os problemas de saúde causados pelo uso de venenos sempre foi a maior preocupação dos agricultores quando optavam pela Agricultura Ecológica, mas nos últimos anos cresceu muito a preocupação com a questão ambiental.
Em seguida falou sobre as razões político-econômicas, isto é, decidir quem será beneficiado com o trabalho realizado na propriedade: as multinacionais da indústria química ou o próprio bolso e o mundo inteiro.
A situação do jovem ecologista Elias Evaldt,da comunidade de Pixirica, Morrinhos do Sul, ilustra bem esse aspecto político –econômico –ambiental: Quando a gente trabalhava fora da ecologia vivia apertado, contando dinheiro, e trabalhava pra pagar veneno. Hoje não é que sobra, mas a gente vive bem, e na propriedade tem tatu, furão, passarinhos.
O técnico agrícola Cristiano Motter deu continuidade aos conteúdos do dia, colocando as questões da Agricultura Ecológica na prática, o como fazer.
Na quarta-feira, 10, os participantes visitaram o cultivo de banana em sistema agroflorestal, de Adroaldo Jorge Machado, do grupo Paraíso, na comunidade de Santo Anjo da Guarda em Três Cachoeiras; a horta ecológica de Denise Schardosin e Romildo Hahn e a plantação de tomate ecológico de Januário Gilberto Lima Filho e Maria das Dores Lumertz Webber em Dom Pedro de Alcântara.
O curso Agricultura Ecológica Princípios Básicos foi realizado no âmbito do projeto Agricultura Ecológica, Soberania Alimentar e Economia Solidária: Soluções Ambientais para Problemas Sociais, patrocinado pela Petrobras.
Para saber mais sobre Agricultura Ecológica baixe gratuitamente a cartilha Agricultura Ecológica – Princípios Básicos, disponível na capa do site. Este material foi distribuído para os participantes.
Principais características da Agricultura Ecológica
-A matriz energética é o sol
-Os sistemas de produção são diversificados
-Estímulo à reciclagem de nutrientes
-Utilização de sementes próprias
-Independência em relação a insumos externos
-Integração com a natureza
Você sabia?
-Que a parte sólida da planta resulta da fotossíntese, que é a capacidade das folhas de transformar a luz em matéria? 98% da madeira, por exemplo, veio do sol e da água, somente 2% do solo!
-Que a Agricultura Ecológica busca usar da maneira mais eficiente possível os recursos da natureza. Um destes recursos é a fotossíntese.Em um bananal ecológico, em vez de a energia do sol ser usada só pela banana, o agricultor ecologista deixa o mato crescer, permitindo que outras espécies aproveitem a luz do sol. Depois o manejo deste mato nutre o solo com nitrogênio e o protege sua umidade, fazendo o bananal mais resistente a períodos sem chuva.
-Que os venenos usados na agricultura eram exatamente os mesmos usados na Segunda Guerra Mundial? Na década de 1940, quando terminou a guerra, as indústrias químicas precisavam encontrar mercado para seus produtos. O mercado mais promissor foi a agricultura, atividade praticada em todos os continentes do mundo. As fábricas de tanque de guerra foram transformadas em fábricas de tratores. Fábricas de gás tóxico à base de enxofre para matar gente tornaram-se fábricas de gás tóxico à base de enxofre para usar na agricultura. A formulação era a mesma, mudando somente a concentração.
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