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( 02/03/2017 ) Mulheres fortalecem a agroecologia no Litoral Norte do Rio Grande do Sul
 

Foto:Em agosto de 2016, Mampituba sediou o encontro que reuniu mulheres de toda região

Em 2016, um encontro regional de mulheres em Mampituba e três encontros nos municípios de Morrinhos do Sul, Dom Pedro de Alcântara e Três Cachoeiras, organizados pelo Centro Ecológico, sintetizaram a situação das agricultoras ecologistas no Litoral Norte/RS: elas trabalham em casa e na produção, educam os filhos, muitas assumiram o controle das finanças e estão aumentando a presença também na comercialização.

Apesar desse excesso de trabalho, que muitas vezes limita a atuação na sociedade, elas foram e continuam sendo responsáveis pela construção do movimento agroecológico na região. Acho que as mulheres são fundamentais pra agricultura orgânica, desde a criação dos filhos, em educar pensando num mundo mais saudável, avalia a agricultora Rosane Cardoso Martins, do núcleo Três Passos da Associação dos Colonos Ecologistas da Região de Torres (Acert).

E, se no passado a recusa a plantar e cozinhar alimentos com venenos motivou o apoio decisivo aos jovens que formaram a Acert, atualmente elas são movidas pela emoção para agir em favor da razão: Com certeza estou me dedicando à produção de alimentos orgânicos e biodinâmicos porque amo minha família e quero o melhor para os consumidores da nossa produção, afirma a agricultora e professora de matemática Maria Inês Gonçalves Flores, do Grupo de Produtores Ecologistas do Paraíso (Gpep).

A biodinâmica é uma agricultura que usa calendários astronômicos e compostos homeopáticos. Além da família de Inês, outras famílias, como a de Marli Evaldt Justo, estão apostando nessas técnicas para melhorar os cultivos. Adotamos a prática da biodinâmica na propriedade e introduzimos nos bananais já existentes, explica a agricultora que desde o ano 2000 produz banana e recentemente hortaliças, na propriedade em Três Cachoeiras. Para Marli, a mulher tem mais capacidade de produzir, industrializar, criar e multiplicar novas ideias em cima de um mesmo produto, e isso com certeza tem influência na agroecologia.

Em busca da igualdade na agroecologia

Marli também acha que por meio da produção ecológica a mulher deixou de ser dependente, no momento em que as portas da ecologia mostram um campo de novas alternativas de produção e comercialização. Para Rosane Martins, na agricultura ecológica a mulher tem mais chance de fazer aparecer seus trabalhos.

Já a agrônoma Estefânia Camargo, considera que a agroecologia favorece o empoderamento de algumas mulheres à medida em que o envolvimento do casal, não somente com a forma de produção, mas também com os princípios do movimento, trazem sensibilidade e o esclarecimento do que significa igualdade.

Educadoras ambientais e mulheres camponesas trabalham na sucessão familiar

A despeito da ampliação do número de famílias envolvidas com a agricultura ecológica, a questão da sucessão familiar ainda é um ponto de interrogação no setor. Conforme a agrônoma da equipe técnica do Centro Ecológico Ana Luiza Meirelles, uma grande preocupação das professoras que fazem parte da Teia de Educação Ambiental Mata Atlântica é mostrar que é possível viabilizar o trabalho nas propriedades, viver com dignidade, ter acesso a muitas coisas. Ana Luiza destaca também o trabalho do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), na promoção da agroecologia junto aos jovens. A Teia existe desde 2005 e é formada por educadoras e educadores de escolas de municípios da região.

Entidades assinam manifesto em defesa dos direitos previdenciários das mulheres

Por entenderem que as mulheres enfrentam tripla jornada de trabalho, 58 entidades, entre movimentos sociais, ONGs, associações e conselhos, assinam o manifesto em defesa dos direitos previdenciários femininos. Clique aqui para ler o manifesto.


   
 

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